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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Anatomia de um beijo




Olhavam-se as bocas em carnívoro apetite
em desassossego de lumes
vagueando o corpo como lobo feroz
Estudavam-se os lábios num percurso de lavas
a pensar geografias suculentas
Aqui e ali um dente alvo e canibal
emitindo chispas na iris predatória
Rasgavam-se as cortinas da vida
e dentro era fogo, era flor em grito
era raiva incerta, corpo exposto e aberto
papoila rubra a rebentar no ventre.
Degladiavam-se as bocas em desespero
a ressacar um vicio nunca experimentado
Corria entre eles o cheiro das acácias
o toque corrompido , um absurdo sem vírgulas
uma violência de bocas acesas a espantar a escuridão
Foi na desordem que as línguas respiraram
ressuscitando o calor e a fome, o princípio e o fim
tudo em revolta numa estrada louca e atropelada
sem razões sugadas nos lábios.
E a terra tremeu no grito dos corpos
E a vida cresceu no céu da boca
E não houve promessas a cumprir
porque nenhumas foram feitas.


© Margarida Piloto Garcia in "EROSÁRIO 2016"-publicado por SILKSKIN EDITORA 2016





segunda-feira, 31 de março de 2014

Lábios






Fervem os lábios enquanto brilham na espera
e eu amo-te tanto
que não sei porque as bocas estremecem
no medo de se darem
Perdem-se as bocas em línguas de fogo
e eu amo-te ainda mais
mas não posso dizer-to
Se os lábios se envolvem num espasmo desmedido
eu rasgo-me louca na polpa agridoce
Neles se tocam os seios e os sexos
as palavras e os silêncios
neles se enredam histórias e estremecem estrelas
e as explosões dão-se em eternos segundos
Por isso amo-te
mas guardo na boca fechada o teu nome
porque ele é um segredo a florir nos lábios


© Margarida Piloto Garcia-in AMANTES DA POESIA I-publicado por EDITORA UNIVERSUS-2014




segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Vício





Quero um beijo meu
que não seja teu
que não seja nada.
Que não saiba a café
ou a desamores.
Que não transborde paixão
para dentro da minha boca exangue
e não diga frases molhadas.
Não quero um beijo rubro
carregado de ânsias febris,
um almiscarado ósculo
com um currículo de mágoas, de paixões
de raivas tracejadas.
Quero um beijo meu.
Não sei se é cândido, se devasso
mas traz em si um rótulo diabólico
um carimbo que não passa de prazo
uma tatuagem que morde e infecta.
Bebo nesse meu beijo a saliva de outro
o despudor da alma desnuda
o vício de largar na boca
inconsequentes devaneios.
Nos meus lábios sinto quebrantos
e orgias seladas com lacre.
Quero um beijo meu
que não seja teu
que não seja nada
que não seja de ninguém.

Margarida Piloto Garcia-in EROTISMVS-IMPULSOS E APELOS-publicado por ESFERA DO CAOS-2013


domingo, 18 de janeiro de 2009

Beijo









Colaste a tua boca à minha
e disseste segredos insondáveis.
Os teus olhos atearam fogos
devoraram, mesmerisaram e devolveram-me
à minha primitiva condição de mulher-Eva

Porque colaste a tua boca à minha
as nossas bocas são agora uma só.
Tenho o gosto dos teus lábios,
da tua língua
da tua saliva,
impregnado nos meus.
Sabor a pele, a mel
sabor a homem, a doçura.
Sabor forte, carente, sensual.

Quando colaste a tua boca à minha
o meu corpo morreu de encontro ao teu,
para logo reviver em ondas de paixão.
As carícias sonhadas não chegaram,
só mitigaram o vulcânico desejo.

Mas ao colares a tua boca à minha
a paixão partilhada foi tão demolidora,
que nos tornou pueris no medo da perder
e nos deixou nas almas um amor,
que por perfeito só pode ser sonhado.

Se ao colares a tua boca à minha
sentires que galopamos,
cavalos na bruma enevoada da manhã,
é porque o teu coração derreteu na lava ardente
e numa quase morte se fundiu no meu.

Depois de colares a tua boca à minha
os sonhos fugiram-me da alma.
Cruzaste os portões do impossível
reacendeste em labaredas
cada átomo do meu ser.
O meu corpo é um piano onde dedilhas
lânguidas e românticas sonatas,
galopantes e desvairadas sinfonias

Se quiseres colar a tua boca à minha
perceberás que o amor nem sempre é
como o sonhamos.
Ás vezes é simplesmente...melhor.


Margarida Piloto Garcia