Nunca mais chega o verão dos teus braços a prenderem-me na
beira do abismo.
E o fim do mundo à espera num calendário rasgado sem saber
quantas dores por ele passam!
Nunca mais o dia quente das mãos escondidas a escreverem debaixo da mesa e nas tuas pernas, alucinações geométricas e arreliadas de carência.
Nunca mais chega esse verão apressado a escorrer seivas
entre nós.
E o carro veloz e a minha mão galopando no teu corpo, cria
de um cio a engrossar num arco flectido.
Nunca mais, nunca mais, a pele preocupada e os caminhos internos
exaustos da espera.
Na ditadura do meu corpo , a tua revolução exige o
atrevimento de viver, de ser única
sem acomodadas ânsias e culpas ressequidas.
Nunca mais chega o verão, e eu sequestrada nas palavras, em
malabarismos fora de prazo.© Margarida Piloto Garcia

2 comentários:
Passei por aqui! Não sou mais do que uma simples passagem, embevecida com o que li!
Poema de desilusão.Talvez com alguma esperança escondida.Lindo....Ao lê lo,não uma, nem duas mas talvez dezenas de lágrimas correram ao longo desta face cada vez mais angustiada.A tua escrita é paralela ao teu sentir.Não pares.Nunca. É um bálsamo para os olhos de quem te lê.E um tónico que alimenta a alma.
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