segunda-feira, 13 de abril de 2009

Requiem




Ele disse que sim.
Ela disse também.
Apenas um jogo
um erotismo subtil
fugindo à rotina, às frustrações.
Eles sentiram pele, carícia, beijo.
Amaram-se na obscuridade dos desejos
e ele disse que não
nada de amarras, paixões.
Ela disse também.
Ela mentiu.
O coração rebentava
pulava, os olhos coruscantes
a boca tremida, a pele palpitante.
Mas ela disse que não.
Dias depois
ele disse que sim.
Ela disse rasgando a couraça, que sim e sim também.
Ele não soube explicar
que o jogo falhara
que a paixão dominava e o feria.
Amaram-se sempre em vagas alterosas
e trocaram ternuras, anseios e receios.
Confessaram-se no altar sagrado
da chama que os unia.
Não eram beijos
porque uma boca só
já os unia
e em corpos suados ele cantava-lhe
êxtases sem conta.
Mais tarde
Ele disse que sim.
Ela disse também.
Rugiram gravemente os pensamentos
do...e agora?
Deveriam fugir. largar as mãos
perder o tesouro encontrado?
Mas eram um só e as lágrimas rolavam.
E o amor fê-los desaparecer
numa espiral hipnótica
que domou o tempo.
Perdidos noutra dimensão
os corpos suados, amados,
lambidos, amassados,
as loucuras perpretadas e vividas
sem sombras de futuro inexistente.
Raios filtrados na janela
tornavam-na mais bela.
O cheiro da pele dela, brilhava
no tónus da pele dele.
E os olhos brocavam o peito sem piedade
e o amor era uma bigorna martelada.
Um dia ele disse que não.
Ela disse talvez, na sombra do engano.
Ele seguiu em frente.
Ela virou para trás.
A paixão e o amor foram guardados
no baú do nunca e enterrados.
Os nãos e os sims
o jogo viciado
foram coroa de flores em campa rasa.
Sobraram de mãos dadas dois fantasmas
que se amam sobre ela
em noites de lua cheia.


Margarida Piloto Garcia



2 comentários:

Anónimo disse...

As recordações são muito fortes e sempre presentes nos teus poemas .



vmnc

ellen disse...

Ao ler-se um poema, a sua beleza está na forma como ele consegue ser transparente nas suas palavras cheias de conteúdo e significado! Gostei :)
Obrigada pela sua visita e simpáticas palavras. Voltarei...

Beijinho