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segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Coisas que sei

 






                                                              “ Não, nem todo o limão é amarelo quando

                                       A mão de alguém o toca e humaniza...”


                                     Rui Costa-O Pequeno-Almoço de Carla Bruni





Coisas que sei


Não são muitas as coisas que sei

mas queria saber todas.

Às vezes debato-me com esta fome

e complico a vida.

Cultivo o silêncio, uma e outra vez

porque as palavras desgastam e eu tenho

esta raiva tola a anunciar a morte.

As coisas passam assim: as árvores ardem

os animais morrem, os homens fazem a guerra.

O comer sobre a mesa não tem acenos

e o medo invade os lençóis.

Não há caminhos mágicos, nem rituais certos.

A incerteza é mesmo importante para seguir em frente.

Muitas das feridas não saram, nem com dias serenos

ou ainda que fosse nómada de uma viagem incerta.

O avesso de tudo é o que temos.


Eu continuo a querer saber coisas, mesmo que desnecessárias..





© Margarida Piloto Garcia in-"SOB EPíGRAFE"-TRIBUTO AO MEU POETA- publicado por Temas Originais

Foto de Ziqian Liu







quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Ao Rui Costa

 






                                                                              “Há pessoas que amam

                                              Com os dedos todos sobre a mesa...”


                                   Rui Costa -A nuvem prateada das pessoas graves.




Ao Rui Costa


Acredito poeta, que todos somos cúmplices

do teu mergulho na morte.

Todos os homens e mulheres que te corroeram

os poemas, a areia da praia, as maçãs, o pão fervente.

É na memória da pele que os teus versos cheiram a laranja

mas se transmutam em nuvens prateadas ou se fendem

em matizes fermentadas.

Tu só te envolves nas guitarras da Mana Calórica

e desprendes-te sem sombras de todas as amarras.

Desconcertante o teu desassossego

e as tuas torrenciais palavras.

Ali, no bar em Miragaia, sem vaidades e transparente

juncaste os poemas de lutas metafóricas

e soubeste ser frágil e desafiador.

Com os dedos todos escreveste promessas e solidão.


Um poeta assim, terá sempre o amparo da sombra da ponte

mesmo que não tenha sido preciso voar.




© Margarida Piloto Garcia in-"SOB EPíGRAFE"-TRIBUTO AO MEU POETA- publicado por Temas Originais 2021