Grieg soa vitorioso nos meus ouvidos.
Transborda-me a alma
revolve-me entranhas
esfiapa-me a vida em lençóis de desespero.
Noites de Grieg são catarses que deixam cicatrizes.
Vampirizam-me a mente
esqualos predatórios.
Adormeço em mares azuis
mas sou devorada por sombras cinzentas.
O meu íntimo é um vendaval vivido e não domado.
Paira à minha volta uma teia de aranha.
Vislumbro-a num doce emaranhado
tecido em pálidos sonhos antigos.
Não me abusa nem me atemoriza esse silêncio.
Traz-me a paz e a eficiência das aranhas
um mergulhar em mim
uma felicidade fetal, verdadeiro watsu.
Mas abandono o esconderijo silencioso
e deixo a alma desnudar-se aos sons.
Grieg arrebata-me numa paixão sem fim.
Margarida Piloto Garcia in POESIA SEM GAVETAS-PARTE I-PASTELARIA ESTUDIOS EDITORA-2013
