Presente, passado ou futuro
um emaranhado sem respeito
uma fera a comer-nos
ou uma impalpável fome
como uma dor antiga que não morre.
A nossa indiscreta fragilidade
precisa de um manual de sobrevivência.
É nele que te apoias
é nele que tens dez anos e todos os sonhos
ou quinze e conquistas a sede infinita.
Em cada ano somos apenas um inquilino
à espera de um despejo
ou um argumento que não é levado à cena.
O nosso coração é dado como entrada
no negócio da vida e raras vezes
somos reembolsados.
Dos anos vão ficando as cicatrizes
as veias azuis, as rugas da indiferença
os deslizes absurdos e a ingratidão
que atravessa o tempo até rasgar a pele.
Os anos são propícios a crueldades
e talvez eu me vá embora
sem que ninguém dê por isso.
Margarida Piloto Garcia-
in- " As palavras, rios de tantas águas "-publicado por IDEÁRIOS 2022
Foto de Alicja Posluszna
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