segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Tempo das arestas


 



Este é o tempo das arestas

das facas afiadas, dos gestos

que são línguas de segredos.


Este é o tempo onde descobres

que nada muda ou se transmuta

ou somos nós que permanecemos

tolhidos e agarrados a um egoísmo

que morde e infeta.


Tão grandes mas demasiado pequenos

nem o amor nos salva, esse que apregoamos

como se não o usássemos como um bisturi.


Somos titãs de tantos feitos

mas só nos une este mundo perdido

e uma natureza a gritar sobrevivência.


Neste tempo de cansaço

os sorrisos escondem-se.

Fica-nos este silêncio profundo

que nos morre nos olhos.



© Margarida Piloto Garcia-in ANTOLOGIA DE POESIA PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA"Entre o sono e o sonho"-Volume XII


© Foto de Rui Palha


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