Este é o tempo das arestas
das facas afiadas, dos gestos
que são línguas de segredos.
Este é o tempo onde descobres
que nada muda ou se transmuta
ou somos nós que permanecemos
tolhidos e agarrados a um egoísmo
que morde e infeta.
Tão grandes mas demasiado pequenos
nem o amor nos salva, esse que apregoamos
como se não o usássemos como um bisturi.
Somos titãs de tantos feitos
mas só nos une este mundo perdido
e uma natureza a gritar sobrevivência.
Neste tempo de cansaço
os sorrisos escondem-se.
Fica-nos este silêncio profundo
que nos morre nos olhos.
© Margarida Piloto Garcia-in ANTOLOGIA DE POESIA PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA"Entre o sono e o sonho"-Volume XII
© Foto de Rui Palha
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