sábado, 21 de junho de 2014

Estio



Nunca mais chega o verão dos teus braços a prenderem-me na beira do abismo.
E o fim do mundo à espera num calendário rasgado sem saber quantas dores por ele passam!
Nunca mais o dia quente das mãos escondidas a escreverem  debaixo da mesa e nas tuas pernas,  alucinações geométricas e arreliadas  de carência.
Nunca mais chega esse verão apressado a escorrer seivas entre nós.
E o carro veloz e a minha mão galopando no teu corpo, cria de um cio a engrossar num arco flectido.
Nunca mais, nunca mais,  a pele preocupada e os caminhos internos exaustos da espera.
Na ditadura do meu corpo , a tua revolução exige o atrevimento de viver, de ser única
sem acomodadas ânsias e culpas ressequidas.
Nunca mais chega o verão,  e eu sequestrada nas palavras,  em  malabarismos fora de prazo.


Margarida Piloto Garcia



2 comentários:

Isabel disse...

Passei por aqui! Não sou mais do que uma simples passagem, embevecida com o que li!

vitor correia disse...

Poema de desilusão.Talvez com alguma esperança escondida.Lindo....Ao lê lo,não uma, nem duas mas talvez dezenas de lágrimas correram ao longo desta face cada vez mais angustiada.A tua escrita é paralela ao teu sentir.Não pares.Nunca. É um bálsamo para os olhos de quem te lê.E um tónico que alimenta a alma.