Nas noites que trazem o cheiro do
alecrim
espreguiço-me no lençol de linho
da cama alva.
Ainda há pouco me lançavas no
ouvido
papagaios coloridos de papel
e eu soltava-os ao ritmo da
imaginação
que é de tudo raíz, fruto e flor.
A felicidade caminha em mim
como se fosse um animal sedento
e eu espreguiço-me de novo
deixando pequenas nesgas de luar
marcarem o meu corpo.
E a tua boca é sagrada
porque sabe comer as luas e
torná-las deuses.
E a tua boca é uma fera
que bebe o meu regato, come a
minha flor nascida
e se afunda exausta nas grutas
palpitantes.
O meu suspiro entra e sai da tua
boca
e tudo sabe a sal, a mosto, a
chuva.
Tudo sabe a desassossego, a
música habitada,
a felicidade a consumir antes que
acabe o prazo.
Acordo do meu sonho e tudo sabe a
nós.
© Margarida Piloto Garcia in AUDÁCIA DOS SENTIDOS-publicado por EDITORA UNIVERSUS-2013
