segunda-feira, 5 de maio de 2014

De longe







E Abril passou
E outros virão aqui onde estou
de esperanças feito
O frio aperta na mente que sonha
e a fome alerta sem voo nem asas
Daqui faço planos
mas os desenganos escrevem-se a cru
Na luta sem tréguas
não mais vejo as águas do meu oceano
nem as azinheiras torradas de sol
Daqui a lonjura é corda que enforca
é faca que corta e caudal que alaga
e sobe à garganta
No país amado deixei só a alma
que o corpo faz falta pra ganhar o pão
Abril já partiu
e os medos que envergo não guardo
nem quero
mas expulso e enterro
em estrangeiro chão.


Margarida Piloto Garcia



1 comentário:

vitor correia disse...

Um outro Abril virá.....Desejo duma nova estrada de vida,mostra este poema.Outro caminho de luzes será encontrado....