terça-feira, 24 de setembro de 2013

Lembrança





Lembro-me sempre de ti.
Crescem-me ramos ao longo dos braços
e as minhas mãos são maçãs carnudas e aromáticas
a desfiar carícias de antigamente.
Abraço a tua lembrança
com os lábios acerejados onde as flores brotam
ao ritmo da respiração lenta e sincopada
para esquecer as arritmias do nosso cavalgar.
Cada dia passado na tua ausência
abre o rumo da fome dos sentidos
e deixa pegadas que o tempo não apaga.
Lembro-me sempre de ti
dos dias em que as sombras
eram apenas o nome dos nossos corpos acesos
e das noites em que morríamos nos gritos
a ecoarem no silêncio dos cheiros enlaçados.
Mas não deixo que a lembrança me desvende o olhar
e me roube a paixão de que sou feita.
De mim só eu sei.
O resto são artifícios, rendas que os outros tecem.


Margarida Piloto Garcia



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