sábado, 27 de junho de 2009

Noites de Grieg



Grieg soa vitorioso nos meus ouvidos.
Transborda-me a alma
revolve-me entranhas
esfiapa-me a vida em lençóis de desespero.
Noites de Grieg são catarses que deixam cicatrizes.
Vampirizam-me a mente
esqualos predatórios.
Adormeço em mares azuis
mas sou devorada por sombras cinzentas.
O meu íntimo é um vendaval vivido e não domado.
Paira à minha volta uma teia de aranha.
Vislumbro-a num doce emaranhado
tecido em pálidos sonhos antigos.
Não me abusa nem me atemoriza esse silêncio.
Traz-me a paz e a eficiência das aranhas
um mergulhar em mim
uma felicidade fetal, verdadeiro watsu.
Mas abandono o esconderijo silencioso
e deixo a alma desnudar-se aos sons.
Grieg arrebata-me numa paixão sem fim.

Margarida Piloto Garcia in POESIA SEM GAVETAS-PARTE I-PASTELARIA ESTUDIOS EDITORA-2013







3 comentários:

Sandra disse...

Que lindo. Gostei muito.
Noites de grieg.
Margarida, tire um tempinha e venha até a minha casa.
Vim convidar vc. para degustar um saboroso pinhão em minha casa Curiosa.
Te espero lá
Sandra

RS. MP disse...

Olá Margarida, linda a música e o poema também. Obrigado pelas visitas que tens feito ao meu canto de palavras. Ontem enchi-o de poemas que tinha na arca da palavras. Beijos para ti e para a Susana, e um dia destes vamos tomar um café.

Nilson Barcelli disse...

Fui lendo o poema, devagarinho, à medida que ouvia a música.
É impresssionante a sintonia que senti entre as tuas palavras e a música. Transportaste-me literalmente para o teu mundo, vi-o por dentro. São momentos como este, bem raros, que fazem valer a pena ler blogues. Querida amiga, obrigados por nos proporcionares momentos mágicos como este.
Boa semana, beijo.