quinta-feira, 23 de abril de 2009

Volúpia





Olho-me, feiticeira
num espelho ondulante
descortinando largos caracóis.
Os teus braços cercam-me
e a tua boca no meu pescoço
desperta o desejo ensolarado.
Sinto na minha pele
as tuas impressões digitais
linhas que me dançam no corpo.
A tua mão percorre este meu rosto
de modo a decorá-lo.
Os teus olhos penetram-me na alma
e o som da tua voz
morde-me em labaredas cintilantes.
Todo esse suor que cola o teu corpo ao meu
é um bálsamo que sara as nossas feridas.
O teu riso é um soluço no meu peito
e eu tento beber as tuas lágrimas
com os meus lábios sôfregos.
Não sei explicar o frenesim
a loucura partilhada.
As nossas mãos são marionetas
que o amor comanda.
Já aprenderam os segredos todos
e os porquês de sermos nós.
Gosto de fazer as minhas dançar no teu cabelo
e pintar de sombras o teu corpo.
Há melodias tecidas entre nós
ritmos de um ballet
ora místico, ora carnal.
Pinto nas paredes telas flamejantes
oníricos poemas a deuses ancestrais.

E depois, perdemo-nos sempre
para nos voltarmos a encontrar.
Rimos dentro das bocas
dentro dos corpos
dentro da vida.
Rimos porque sabemos
que um dia a vida nos fará chorar.




Margarida Piloto Garcia


Obra de Elieni Tenório





1 comentário:

Elaine disse...

Olá!
Querida, tem uma promoção no blog. Ficarei muito feliz se você puder participar.
Te espero lá.
Beijos.