terça-feira, 28 de abril de 2009

Atreve-te




Atreve-te.
Pisa os recalcamentos da mente original.
Origina ciclones de demência.
Alarga o horizonte até que o ultrapasses.
Parte para as estrelas e explode em supernova.
Não há maior abismo que o que crias, sentes, manipulas.
Se te arrependes...pensa.
Deixa que a água te escorra em gotas orvalhadas.
Prende-as nos lábios, saboreia.
Devagar, devagarinho, leva à loucura a mente paralela e suplicante.
Deixa jazer aos pés a vontade submissa.
Procura o ritmo que te faz planger em notas discordantes.
Sonda a magia das coisas proibidas, nunca ofuscadas,
diamantes negros avassaladores.
Sente o pedido na tua alma primitiva
e liberta o fogo dos infernos.
Nem anjos nem demónios poderão defrontar a guerreira que és.
Exige o tributo à tua condição.
Se pedes, vais obter a vida negada,
as mentiras embrulhadas em papel de seda,
as promessas como berlindes coloridos.
O que te ensinam a querer são cachos de uvas maduras,
suculentos ao sol orgíaco do poente, colhidos no suor de corpos e alentos.
Por isso perde-te e encontra a rota dos desejos.
Desliza na noite negra de cetim, esmaga a teus pés a doçura febril e ávida mas fresca.
Renega as histórias de encantar e prova a exótica iguaria.
Exige, manda, quer.
Atreve-te.

Margarida Piloto Garcia


2 comentários:

RS. MP disse...

atreve-te, reclama, exije.
ri, chora, ama, sofre, planeia, desfaz planos, inventa, reinventa, dá, recebe, grita a vida, sem medo de viver, que tudo que semeias, irás receber.
belo poema, obrigado por ele.
rui

Su disse...

atreve.t........sempre


jocas maradas