quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Poema-paixão






Hoje o leito era uma cela.
Tapei a cabeça, raciocinei, e sabia...
Sabia que precisava de alma espraiada mar fora
sem desertos depressivos, sem cobardias disfarçadas.
Consegui-o olhando-me nos olhos.
Li neles que não tenho esse direito
de desistir de mim
de me perder.
A lágrima que escorregou, já a lambi
e mesmo sem te ter provado, sabe-me a ti.
Tens de saber a terra, a mar, a especiarias.
O teu corpo há-de ter o gosto almiscarado
de tudo o que é raro e exótico.

Não me importa se assim não for.

Tu és a minha flor de sal.

Quero desenhar com a boca a tua tatuagem
quero conhecer o teu íntimo mais recôndito.

Esperei-te toda a vida.


Continuo a esperar-te...




Margarida Piloto Garcia



2 comentários:

Anónimo disse...

poema trágico e de espera inderterminada .Será que encontrarás o que esperas????

vmnc

PreDatado disse...

Uma espera determinada. Sabe o que quer, como quer e quem quer. Tudo isto numa poesia muito bonita.