terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Inocência





Sei que não é amor,
mas embrulhas os sentidos em gestos coloridos.
O teu sorriso troça da tristeza,
arranca o meu entre a provocação e a a candura.
Fico na expectativa do teu toque...
da tua timidez,
da quase juvenil carícia
na mescla sensual de que a revestes.
Sei que não é amor
mas atreves-te a quebrar tabus,
quando me desejas
me provocas
me queres de uma maneira que é só tua.
Sei que não é amor.
Nem mesmo é paixão.
Mas a loucura partilhada dos sentidos ,
existe no olhar trocado.
Sei que me perco nos beijos ora vorazes, ora subtis,
no abraço carente que me desnuda aos poucos.
Brincamos sem pudor
carentes desse amplexo desejado.
E embarcamos numa viagem feita de um desejo duro mas doce.
Nunca nos falta o riso
rolando como pérola.
Sei que não é amor
mas partilhas comigo um arco íris de emoções...
E o teu amplexo é forte e orvalhado de desejo.

Sôfrega é a satisfação linear,
sem perguntas, sem noites de espera,
sem algemas a roerem esfomeadas.

O corpo é um abrigo em que se esconde a alma.

Sei que não é amor
nem mesmo é paixão.
É talvez um não sei quê
que vai e vem
e deixa a vida intacta, virgem...à espera.


Margarida Piloto Garcia-in EROTISMVS-IMPULSOS E APELOS-publicado por ESPERA DO CAOS-2013



2 comentários:

Anónimo disse...

Se não é amor, que será? E as esperas angustiam.machucam.O teu poema é maravilhoso ,msãs deixa uma vez mais uma lágrima furtiva caír pela face de quem o lê com atenção.
VMNC

Maria Madalena disse...

Mana Margarida, quanto mais simples de palavras são os teus poemas feitos, mais gosto deles e este é realmente muito simples de palavra mas muito rico de emoções mais uma vez, por mim, continua nesta linha amiga que vais bem melhor, na minha humilde opinião é claro.
Beijo e fico esperando mais.