domingo, 28 de fevereiro de 2010

Agonia






Vieste nesse dia
e trouxeste ramos de absurdos
e raivas incontidas.
Dentro de mim
um pássaro bateu asas aflito.
Auroras rubras
tentaram desfazer o meu querer
e atiçaram emoções fogosas
mas eu já me perdera em nevoeiros.
Sou um canavial ao vento
e todas as gotas de chuva me devoram.
O pássaro dentro de mim
é uma fera aflita
um grito
um sopro
uma esperança.
Todas as dores me roem
as algemas com que teimas em calar-me.
Não sei mais quem tu és
mas sei quem sou:
um pássaro morrendo na madrugada.


Margarida Piloto Garcia-in NÓS POETAS EDITAMOS-vol II-2013

Arte de Felix Más




2 comentários:

vitor correia disse...

Tão doloroso este poema .Um pouco na linha dalguns teus ,mas em que a desilusão está bem presente.

Anónimo disse...

Poema inteiro, embora deixe em frangalhos quem o lê. Gostei, desgostando.