quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Escuridão



Na imensa escuridão
um fino raio de prata incinera os corpos
e deixa fantasmagóricas runas
escritas em névoas de vagalumes.
No negro profundo
há lábios pálidos e exangues
drenados por vampiros quotidianos
após canibalescas festas do sentir.
Algures por entre as vagas negras
deslizam sentimentos tirânicos
reescrevendo um pretérito cada vez mais imperfeito.

O raio prateado tornou-se feérico
e enche a noite de charcos pálidos.
Ao som de um tango de Gardel
os corpos são silhuetas primitivas
num ballet rítmico e gutural.

Quando a aurora devorar
os últimos resquícios de escuridão
os fantasmas terão partido
e eu ficarei só.


Margarida Piloto Garcia




7 comentários:

vitor correia disse...

É um poema intovertido,na linha dos que nos brindas.Afinal tiveste inspiração.Não deixes que a AURORA te devore.Poder ser que partam os fantasmas ,mas não fiques só.Bem construído e de fácil emtendimento a tua mensagem...Um beijo

yolanda disse...

POEMA LINDÍSSIMO,DE UM MODERNISMO EXACERBADO.......ADORO NÃO SÓ A EXPRESSÃO DO SENTIMENTO COMO A ESTÉTICA EM SI.
PARABENS AMIGA.

Luma disse...

Margarida, as noites são dos fantasmas, mas também das fadas. Os fantasmas se vão com a luz do dia e as fadas permanecem. Se solitárias não sei, mas sei que à luz do dia, elas dançam, dançam e plainam, entre os locais que antes eram ermos e fantasmagóricos, trazendo alegria e cor para os dias!! Bom fim de semana! Beijus

.Lis disse...

Visitando blogs que foram citados no BlogGincana, me encontro aqui no Conto de Fadas ,apreciando seus poemas, seu olhar sobre a "escuridao".
Gostei muito , tenho lido muito poetas portugueses, estou incluindo-a se me permites.
Abraços

frank verlag disse...

Os fantasmas nunca partem... Pois.

mfc disse...

Todos temos os nossos fantasmas e a solução é convivermos bem com eles!

Pena disse...

Admirável e Estimada Amiga:
Notável, o seu sentido genial de conceber poesia.
"...O raio prateado tornou-se feérico
e enche a noite de charcos pálidos.
Ao som de um tango de Gardel
os corpos são silhuetas primitivas
num ballet rítmico e gutural.

Quando a aurora devorar
os últimos resquícios de escuridão
os fantasmas terão partido
e eu ficarei só..."

Divinal! Adorei.
Os meus mais sinceros parabéns pelo brilhantismo de si e do que "constrói" de forma mágica e extraordinária.
Simplesmente, uma sensibilidade poética admirável e de fascínio.
Com imenso respeito, estima e imensa consideração, enorme e gigantesca poetiza amiga.
Beijinhos amigos de admiração.

pena


Excelente instante. Adorei!
Bem-Haja, pelo seu génio extraordinário!