domingo, 10 de maio de 2009

MÃE




Mãe

São dos meus verdes anos as primeiras lembranças de uma mãe sorridente, com alegria de viver, cantar, dançar e rir.Uma mãe com uma saia dos anos 50, belíssima no seu estampado de chapéus de sol amarelos em fundo preto.Ainda existe esse tecido guardado como precioso tesouro.Era uma mãe que me levava todos os anos, a descobrir a Feira do Livro, na altura na Av.da Liberdade em Lisboa, e onde eu me deliciava numa quase intoxicação literária.Começava o amor aos livros, pelos quais sempre nutri verdadeira paixão.Esses passeios, fazia-os com ela nas minhas idas à ginástica
do meu grande Sporting, onde tantos e tão belos anos passei.
Em breves imagens surge-me a minha vassourinha de brincar que um dia serviu de palmatória e o meu Migalhinhas, um pombo trazido de uma quinta e que um dia virou estufado sem eu dar por isso, e por arrasto lembro os seus petiscos e o afã que punha na noite de Natal, em compor os presentes que tornavam o dia 25 inolvidável.São memórias soltas precedidas por um sorriso.









Esse sorriso deu lugar a um olhar morto e vazio trazido pela doença, que já no fim da minha adolescência me mirava na espera de um fim precoce.
Mas mãe não há só uma e eu tive a sorte de ter tido duas.A minha tia-madrinha que vivia connosco e para quem fui a filha nunca tida, era a minha companheira por excelência.Enfermeira de profissão, levava-me com ela para um mundo que me encantava e desde as receitas inventadas às "experiências" químicas feitas com água, tinta e tanto frasquinho, ia todo um manancial onírico.Corríamos os jardins e os monumentos em maravilhosas descobertas.Nos campos perto de casa eu arquitectava histórias enquanto colhia flores e ia roendo azedas.Com ela descobri o teatro do qual fiquei eterna amante.Como era delicioso o Carnaval em que eu escolhia a máscara e partia com ela para as brincadeiras.Mais tarde vivíamos contos de fadas nos cinemas da capital e na minha adolescência descobria comigo o cinema de culto.No Verão a escolha de tecidos para a confecção de vestidos na modista, que o pronto a vestir estava no começo, era um manancial de vibrações como se escolhesse uma jóia no Tiffany's.Foi ela quem me abriu os olhos quando passei de menina a mulher e me seguiu por tantos lados, fazendo dos meus filhos, seus sobrinhos e seus netos.A saudade deixada foi enorme, como enorme era o seu amor.
Mães não são só as que parem.Mães são todas as que amam.








11 comentários:

james p. disse...

Parabéns pelo excelnte blog.Não o conhecia;cheguei aqui através do Fio de Ariadne.Vou segui-lo com carinho e atenção.Linda postagem e fotos.Grande abraço.

Fatima Cristina disse...

Olá Margarida,
Você tem razao: "Mães são todas as que amam"...
Um feliz dia das mães para você também!
Abraços,
Fatima

Susana Garcia disse...

gostei muito de ler o teu texto e de ver as fotos.
Ficou bonito.Passa lá no meu blogue que tens lá mais um jogo e mais um selo desse jogo,da amiga EELLEEN.
beijinhos

ellen disse...

Quem ganha "outras" mães é sempre mais rico em sabedoria e amor. Parabéns.

Beijinho

ellen disse...

ah... e tenho mais uma seguidora vinda dos seus génes :)
...e foi um prazer recebe-la na minha 'tendinha'!
Obrigada.

Anónimo disse...

Bendita a tua sorte por teres tido duas mães.Agora uma fazia-te falta.Mas infelizmente já perdeste as duas.Os amigos não são o suficiente ,mas alguma coisa te dirão.Forte abraço

vmnc

Ariane Rodrigues disse...

Muito bonitas as fotos.

Vanessa disse...

Margarida, que linda homenagem! parabéns pelo post e também pelo dia das mães, ainda que atrasado!


Abraço e obrigada por participar da coletiva.

luzdeluma disse...

Ora, ora, que sortuda!! Duas mães! Bah, só tive uma! (rs*). Adorei a forma como contou parte da sua vivência como elas, dos detalhes que evidenciaram a riqueza do que sente. Parabéns e que todos os seus dias de maternidade sejam plenos. Beijus

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Obrigada, Margarida, por se ter declarado minha fã, agora quem vai virar sua fã sou eu, pois achei este post maravilhoso.
Só tive tempo para lhe escrever hoje.
Um beijo,
Renata

terezinha disse...

Ao ler sobre a tua Mãe, lembrei-me da minha. Ao contrário de ti só tive uma e só recentemente se foi. Há 4 anos (já?). Como o meu Pai. Há 5 anos (já?)
Tive a sorte de conviver com ela durante 53 anos, apesar dos últimos 10 terem sido bastante dolorosos para todos.
O que aprendi com ela não cabe aqui.
Aprendi TUDO. O que sou e o que não fui capaz de ser.
Muito em particular o gosto pelas "letras",que também transmitiu aos meus irmãos e ao meu filho.
Coincidência por teres transcrito um poema do Fernando Pessoa. Eu trago comigo um outro, também belo mas brutal do Miguel Torga que se chama Mãe. Não tive ainda a coragem de o transcrever, no outro lado onde nos conhecemos.
Talvez o faça mais tarde.

Gostei muito de aqui vir visitar-te.
Até porque EU GOSTO DE FADAS.
Um beijinho, Margarida.