De palavras construí a minha estrada
de sonhos galopantes roubados à vida
sonegados na ponta de uma espada.
As palavras brilharam nos meus dedos
roendo bolores
polindo as feridas
enchendo de marés a minha alma.
Com palavras ungi o verbo amar
e rasguei as sedas do meu leito.
Algures por entre sonhos
as palavras são Pedra de Roseta
envolta em areia do deserto.
Sou uma nómada de sentimentos
à procura de oásis
onde sacie a sede dos desejos.
Levo colados
despojos de uma guerra eternamente travada.
Sigo qual tuareg
os áridos caminhos
que o maná das palavras
nem sempre pode atenuar.
Mas não encontro paz.
Sou apenas uma Xerazade
para quem as mil e uma noites
se esgotaram.
Margarida Piloto Garcia
