segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Quando o amor chegar






Mesmo que não possas fechar os olhos
mesmo que o medo te arda como uma gargalhada incendiada
quando o amor chegar, segue-o
Embora os seus caminhos sejam íngremes e difíceis
enterra os silêncios ainda que rasgues novas cicatrizes
Quando o amor chegar, rende-te
deixa que as suas asas te abracem
te sejam ninho e rima, ou restos de um sonho sedento
Embora o punhal escondido nas suas penas te fira o coração
confia-lhe a pele naufragada num ardor antigo e indecifrável
Quando o amor chegar, renasce
mata a fome e a febre dos desassossegos em busca do verso não escrito
e grita nele todas as letras enquanto o corpo morre a cada dia


Margarida Piloto Garcia


Foto de Edmund Kesting