quarta-feira, 28 de maio de 2014

Perguntas





Posso dar-te a mão neste desejo quente
neste vórtice que me suga sem pedir licença?
Deixas que o meu corpo, tornado
ogiva rubra de que és arquitecto,
envie às estrelas a nave do meu grito?
Posso pedir-te que me ames
só com a ponta dos dedos
a deslumbrar a génese de tudo em nós?
Assim, longe mas tão perto
no movimento secreto, escondido,
desordeiro e a engasgar-se de paixão.
Assim, febril , num choro de grossa lágrima
a ferver nos olhos e a rebentar
palavras delirantes e ciciadas na boca ávida.
Posso abraçar-te despida de mágoas
liberta do arame farpado nascido nas entranhas
na carícia do gesto redondo e denso?
Posso dizer-te baixinho as palavras
que já gritei debaixo de um tecto sem lua?
Podes dizer que me amas?


Margarida Piloto Garcia


1 comentário:

vitor correia disse...

Poema pleno de emoções e perguntas.Só a autora pode ter as respostas.Mostra o mundo em que vive cheio de desejos e interrogações.Oxalá tenha resposta positiva