quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Poema pouco sereno






Não há serenidade  no meu olhar.
Intrépidas são as buscas e eternos os porquês.
Não esperes do meu corpo
a mansidão das searas flutuantes
porque ele tem pressas e tumultuosas vagas.
Não busques em mim
a paz contemplativa do fim dos tempos.
Tenho rubras esperas a tingirem-me os lábios
e abraços esfomeados agarrados a mim.
Talvez um dia possas dizer
que o meu corpo é uma casa
da qual sabes os recantos, as esquinas e os lugares sagrados
ou o ultimo reduto onde comes e dormes
enquanto as estações dão a volta ao mundo.
Mas não teças dialéticas sobre o que quero e sou
e não enchas de balas
o que apesar das palavras noturnas e dos desejos camuflados
ainda não é teu.


Margarida Piloto Garcia

1 comentário:

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

Encontrei o teu blogue por acaso e adorei ler-te mais profundamente.
Estou seguindo para voltar mais vezes.

Um beijinho com carinho
Sonhadora (Rosa Maria)