domingo, 18 de janeiro de 2009

Beijo









Colaste a tua boca à minha
e disseste segredos insondáveis.
Os teus olhos atearam fogos
devoraram, mesmerisaram e devolveram-me
à minha primitiva condição de mulher-Eva

Porque colaste a tua boca à minha
as nossas bocas são agora uma só.
Tenho o gosto dos teus lábios,
da tua língua
da tua saliva,
impregnado nos meus.
Sabor a pele, a mel
sabor a homem, a doçura.
Sabor forte, carente, sensual.

Quando colaste a tua boca à minha
o meu corpo morreu de encontro ao teu,
para logo reviver em ondas de paixão.
As carícias sonhadas não chegaram,
só mitigaram o vulcânico desejo.

Mas ao colares a tua boca à minha
a paixão partilhada foi tão demolidora,
que nos tornou pueris no medo da perder
e nos deixou nas almas um amor,
que por perfeito só pode ser sonhado.

Se ao colares a tua boca à minha
sentires que galopamos,
cavalos na bruma enevoada da manhã,
é porque o teu coração derreteu na lava ardente
e numa quase morte se fundiu no meu.

Depois de colares a tua boca à minha
os sonhos fugiram-me da alma.
Cruzaste os portões do impossível
reacendeste em labaredas
cada átomo do meu ser.
O meu corpo é um piano onde dedilhas
lânguidas e românticas sonatas,
galopantes e desvairadas sinfonias

Se quiseres colar a tua boca à minha
perceberás que o amor nem sempre é
como o sonhamos.
Ás vezes é simplesmente...melhor.


Margarida Piloto Garcia






4 comentários:

Anónimo disse...

è tão bom mais tão raro.....

Ana Paula disse...

Maravilhoso beijo que nos leva a sensações intimas de cumplicidade e de paixão. Um beijo assim transporta-nos para aquele lugar de onde não queremos voltar...
Um abraço,

Susana Ferreira disse...

Poema muito intenso e cheio de amor.
beijinhos

Maria Mourão disse...

poema cheio de amor e paixão muito bonito mesmo.
Fatinha